História de Vialonga

História de Vialonga

"Ameníssimo era o aspeto dos campos como se estivessem revestidos de jardins,

com casas de recreio preenchendo todo o caminho, como se uma cidade contínua se estendesse até Vila Longa,

pequeno reduto mais abundante de quintas que de casario;

onde Sua Alteza parou para almoçar"

Descrição de Lorenzo Magalotti, em 1669, aquando da passagem de Cosme III de Médicis por Vialonga

Situada numa das férteis várzeas dos arredores de Lisboa, Vialonga desfrutou desde cedo da sua posição geográfica privilegiada, assumindo-se como passagem obrigatória para quem se dirigia à desembocadura do Tejo. O próprio topónimo denuncia isso, uma vez que Vialonga cresceu ao longo da tradicional via de acesso à capital.

Desde o final do Neolítico, princípios do Calcolítico que existem vestígios dessa passagem. Junto à Verdelha do Ruivo, mais concretamente na pedreira do Casal do Penedo, existem vestígios de um povoado, uma gruta funerária e um Dólmen (quase totalmente destruídos pela pedreira aí aberta). Também no Monte Serves encontramos um Dólmen, hoje incompleto, sendo apenas visível a cabeceira, um corredor curto e parte da mamoa.

Na época romana era na povoação de Vialonga que confluíam as duas estradas romanas provenientes de Olisipo (Lisboa) e que depois entroncavam numa via única que ia para Braga. Era uma importante área de exploração agrícola, sendo certa a existência de granjas agrícolas (villae) como atestam os achados de mosaicos e moedas romanas, na zona do Morgado, em Vialonga.

No século XII, surgem-nos as primeiras referências à Granja de Alpriate, enquadradas num contexto de repovoamento do território, que viria a pertencer aos Templários e à Ordem de Cristo. Do século XIV são os primeiros registos documentais referentes a Villa Longa, que denotam a importância económica das propriedades da região, como abastecedoras de frescos e de azeite à capital do Império, algo que se viria a consolidar em meados da centúria de quinhentos, por época das Descobertas.

A Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Vialonga, parece ter tido a sua primeira construção em 1390, mas o templo que hoje vemos é de origem setecentista e integra elementos do século XVII e XVIII, sendo de realçar a talha seiscentista do altar-mor e de dois altares laterais. É um templo de uma só nave, que apresenta altos painéis de azulejos da centúria de setecentos com cenas da vida de Nossa Senhora. Na sacristia podem também ver-se um notável calvário com um cristo em marfim de arte indo-portuguesa (séculos XVII-XVIII), azulejos do século XVIII ou diversas imagens possivelmente provenientes dos Conventos de Vialonga. Na nave central podem ser admiradas pinturas em tela do século XVII. Está classificada como imóvel de interesse público desde 1993.

A nível religioso devemos ainda destacar o Convento de Nossa Senhora do Amparo fundado em 1546, por vontade de Fernando de Alcáçova Carneiro, situado na Verdelha do Ruivo. Foi um dos primeiros que teve a província de Santo António, razão por que o chamaram a Casa Nova.

Temos ainda o Convento de Nossa Senhora dos Poderes (hoje apenas restam escassos vestígios e alguns topónimos como Largo do Convento ou Travessa das Freiras), cujas notícias da sua fundação datam de 1561/62 por D. Brites de Castelo Branco, na Quinta de Santa Maria. Era um convento de clarissas e até 1575 sítio de recolhimento de terceiras franciscanas passando após essa data a ser regido pela regra de Santa Clara.

Salientamos também a Capela de Santa Eulália, um templo datado de finais do século XV do qual conserva ainda a capela-mor. Foi remodelada no século XVII, datando desse período os seus azulejos. Foi restaurada em 1984/85 e está classificada como imóvel de valor concelhio desde 1982.

Em 20 de maio de 1449 travava-se, entre Vialonga e Alverca, a Batalha de Alfarrobeira. O confronto decorreu numa zona que apresentava boas condições naturais para operações bélicas, onde atualmente se encontra a fábrica da Centralcer, perto do palácio construído na Quinta de Alfarrobeira e nas proximidades do sítio chamado Arraial, opondo as tropas do rei D. Afonso V ás do Infante D. Pedro, seu tio.

Em 1669 o Grão-Duque da Toscana, Cosme III de Médicis, na sua viagem por Portugal passa por Vialonga. O pintor italiano Pier Maria Baldi, que o acompanhava, acabou por pintar uma aguarela que é a primeira imagem conhecida de Vialonga. O desenho de Baldi mostra-nos uma pequena aldeia muito arborizada de cujo casario atualmente quase nada resta. No entanto, conseguimos identificar, em primeiro plano, o Convento de Nossa Senhora dos Poderes e, ao fundo, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção.

Foi depois do terramoto de 1755 que alguns nobres procuraram refúgio na nossa vila, onde adquirem terras e constroem os seus palácios. Muitas destas quintas conheceram um relativo esplendor durante o Antigo Regime até ao século XIX, especialmente devido a sua notável arquitetura. Destacam-se deste conjunto a Quinta da Flamenga, com um edifício do século XVII que inclui uma capela com azulejos seiscentistas sobre a vida de Santo António; a Quinta do Duque com um notável conjunto neoclássico, com um solar residencial, capela e jardins (hoje muito degradados) e a Quinta do Serpa excelente exemplo da arquitetura civil do século XVIII, as suas linhas sóbrias demonstram todo o carácter da casa antiga portuguesa.

Entre novembro de 1807 e março de 1811, Portugal sofreu a presença de exércitos franceses que, em vagas sucessivas, invadiram e ocuparam grande parte do território nacional. Perante a iminência da terceira invasão, Wellington ordenou a construção de linhas defensivas. A 2ª dessas linhas, denominadas de Torres Vedras, começava em Vialonga, na Serra de Serves, onde ainda hoje podemos encontrar 3 dessas fortificações (Fortes da Aguieira, da Portela Grande e da Portela Pequena).

Até 1826 a freguesia da Granja de Alpriate coexistiu com a de Vialonga, onde foi integrada naquela data. Após a extinção do termo de Lisboa, Vialonga foi incorporada, em 1852, no Concelho dos Olivais, sendo integrada no de Vila Franca de Xira em 1886.

Com o crescimento da capital, e da sua cintura industrial, alteram-se as tradicionais vias de penetração que eram o Tejo e a várzea de Vialonga. É no século XIX, com o lançamento do caminho-de-ferro e a construção da ponte de Sacavém, que mais profundamente se alteraria a rede viária tradicional.

A autoestrada “do norte” volta a bordejar a várzea retirando-lhe o papel de acesso à capital e de centro abastecedor de frescos, assistindo-se à implantação de indústrias que exigiam um escoamento fácil.

A proximidade da capital e a sua consequente expansão urbana, foram fatores dominantes no aumento demográfico e transformação urbanística que Vialonga sofreu nos anos 60 e 70 e serão fundamentais para a sua elevação a Vila em 24 de setembro de 1985.

O crescimento de bairros típicos da área periférica de Lisboa como habitação acessível a operários e trabalhadores, marca hoje a paisagem de Vialonga, ainda assim é marcante o carácter agrícola da zona, quem sabe ponto de partida para recuperar uma identidade que hoje se não completamente perdida é, por muitos, desprezada.

Vialonga

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