A 25 de Abril de 1974 deu-se a revolução que pôs fim à ditadura em Portugal, instaurando a democracia no país. Conhecida como a Revolução dos Cravos, foi um golpe militar levado a cabo pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), um grupo de oficiais descontentes com o regime do Estado Novo e com as longas e desgastantes Guerras Coloniais em África. O golpe, inicialmente pensado como uma ação militar para derrubar o governo de Marcello Caetano, rapidamente recebeu o apoio popular, tornando-se numa revolução pacífica.
O regime deposto era uma ditadura que se prolongava desde 1926, consolidada por António de Oliveira Salazar a partir de 1933 com a criação do Estado Novo. Caracterizava-se pela repressão política, censura, polícia política (PIDE-DGS) e falta de liberdades individuais. A Guerra Colonial, iniciada em 1961, tornava-se cada vez mais impopular, consumindo recursos e vidas humanas, o que contribuiu para o descontentamento dentro das Forças Armadas.
A revolução teve início na madrugada de 25 de abril de 1974, quando foi transmitida a canção proibida "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso, na Rádio Renascença, servindo como senha para a operação militar. Em poucas horas, as tropas ocuparam pontos estratégicos e forçaram Marcello Caetano a entregar o poder ao General António de Spínola. Apesar de alguns confrontos pontuais, a revolução foi essencialmente pacífica, sendo os cravos vermelhos colocados nos canos das espingardas um dos seus símbolos mais marcantes.
O 25 de Abril abriu caminho para a construção de um regime democrático, com eleições livres, liberdade de imprensa e direitos fundamentais garantidos. Em 1976 foi aprovada uma nova Constituição e, nos anos seguintes, as colónias africanas tornaram-se independentes, encerrando séculos de domínio colonial português. Hoje, a data é celebrada como o Dia da Liberdade, um marco na história de Portugal e um exemplo de transição pacífica do autoritarismo para a democracia.




